Évora, PT

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ÉVORA. TURISMO E PATRIMÓNIO. UMA BREVE REFLEXÃO

Évora, à entrada do século XIX, era um espaço de memória. Uma cidade com um passado intrinsecamente ligado à presença dos reis e príncipes de Portugal, e que muito decaiu após o período de dominação filipina do Reino, entre 1580 e 1640. Uma forte presença militar na cidade, que a assumiu como último bastião da linha de defesa da raia alentejana, retirou-lhe importância política e cultural, e lançou-a numa lógica de sustentabilidade e controle territorial.

Foi preciso aguardar até 1863, após a chegada do caminho de ferro à cidade, para a vermos devolvida aos roteiros de comunicação e informação geográfica, com particular incidência aos registos então criados nos célebres “cadernos de viajantes”, nomeadamente estrangeiros, e que podemos definir como os primeiros instrumentos de promoção de Évora.

                Com o século XX, e em particular após a proclamação da República, acentua-se a lógica da separação entre a Igreja e o Estado, agravando o estado de conservação de inúmeros edifícios de valor patrimonial, mas, paradoxalmente, estruturando-se os primeiros sintomas de uma consciência colectiva relativamente à singularidade arquitectónica do recinto intra-muros da cidade. Em 1919, é fundado o Grupo Pró-Évora, uma associação sem fins lucrativos de defesa do património, sendo considerado o mais antigo grupo português com esse objetivo estatuário. A fundação do grupo foi motivada pela mutilação das características históricas e urbanísticas da cidade que decorriam desde o início do século XX, como a demolição dos conventos de Santa Mónica, de Santa Catarina, do Paraíso e do Salvador. O Grupo foi decisivo na inversão destas tendências mutiladoras, e foi por sua iniciativa que foram classificados cerca de trinta edifícios de interesse patrimonial, evitando assim a sua venda em hasta pública. Também por sua iniciativa foram desenvolvidas campanhas pela preservação da estética da cidade.

Paralelamente à proteção do património e características históricas e urbanas de Évora, o grupo teve papel importante na sua divulgação, elaborou roteiros turísticos, publicou livros, postais e artigos na imprensa sobre o valor patrimonial eborense, e, em paralelo, criou as primeiras iniciativas de verdadeira promoção turística da cidade, processo particularmente activo no início da década de 20. Ficou, desses tempos, um epíteto que ainda hoje perdura na memória colectiva: Évora: cidade-museu, então, erroneamente, comparada a Sevilha e Florença, mas estabelecendo as lógicas de valorização que a definiram como pioneira na área no contexto português.

                Contudo, ficará a designação, sabiamente aproveitada pelo regime fascista que governou Portugal entre a década de 30 e inícios da década de 70. O regime, particularmente interessado em implementar uma lógica social de valorização dos valores terrenos, rurais, e exaltação da história do povo português, teve em Évora um singular laboratório de renovação e, porque não dizê-lo, de invenção do património edificado eborense. As políticas de propaganda do Estado Novo tiveram, portanto, um papel decisivo na “salvaguarda” patrimonial da cidade, ainda hoje percepcionável, e, no seguimento, na dinamização de uma política de dinamização turística, ainda que muito arreigada a uma componente politizada. Em paralelo, é por esta altura que Évora recebe inúmeros contributos ao nível do estudo da sua história e investigação sobre as suas raízes e percurso. Neste contexto, ergue-se altivo e meritório o nome de Túlio Espanca, cuja obra escrita se mantém como um dos mais profundos e significativos legados existentes sobre a história da cidade. Contudo, para o que nos traz aqui hoje, interessa destacar que foi Espanca o primeiro guia turístico oficial da cidade, tendo ficado célebres as suas visitas, dinamizadas ao longo de 4 décadas de dedicação à cidade.

É ele que irá assistir, e em muitos casos, documentar, inúmeras intervenções do Estado Novo. No que aos monumentos e edifícios patrimoniais da cidade diz respeito, por esta altura foram realizados vários trabalhos de repristinação. Vários monumentos foram destruídos, recriados ou reinterpretados, sempre guiados por uma certa nostalgia romântica, imprecisa e deontologicamente questionável, como de resto é característica das intervenções do Estado Novo por todo o país.

Contudo, a prática turística instala-se definitivamente na cidade durante estas intervenções, assumindo-se como uma importante fonte de rendimento. Já em 1934 era visto como uma importante parcela para o equilíbrio da balança económica portuguesa, a partir dos anos 60, torna-se numa atividade fundamental para o crescimento económico do país.[1]

Em termos estatísticos, é a partir desta última década que se começam a ter registos concretos do número de visitantes, tendo Évora um crescimento constante entre a década de 60 e 70, passando, no espaço de 10 anos, dos 15.000 visitantes, para atingir os cerca de 56.000 em 1979[2]

                Em 1986, e após 6 anos de estudos, sistematizações e criação de uma estratégia global de gestão do Centro Histórica da cidade, atinge-se a classificação de cidade Património Mundial da UNESCO. Esta classificação, amplamente celebrada, impulsiona inevitavelmente o turismo da cidade que, entre 1987 e 1991, vê o seu indíce turístico crescer 250%.

PORQUE É QUE ÉVORA É PATRIMÓNIO MUNDIAL?

A classificação do centro histórico de Évora pela UNESCO teve por base o seu exemplo enquanto cidade da idade de ouro de Portugal e pelo seu valor enquanto descodificador da arquitetura portuguesa no mundo, nomeadamente no centro histórico de Salvador da Bahia no Brasil.

Évora possui a riqueza de dois mil anos de história, da fundação romana preserva ainda o tecido urbano do núcleo do centro histórico, a imponência da antiga Ebora é manifesta na monumentalidade do reconhecido Templo Romano e na riqueza das Termas, vestígios sintomáticos duma cidade de singular grandeza. O período suevo-visigótico, por outro lado, assinala uma época de retração urbana e de desenvolvimento do meio rural. Segue-se a ocupação muçulmana importante para o desenvolvimento de Évora enquanto cidade comercial e encruzilhada, começando a crescer para lá das muralhas tardo-romanas, apesar do relevo desta ocupação, não subsistem vestígios construídos evidentes duma presença islâmica significativa.

Com a reconquista, Évora adquire uma posição de destaque no reino português. Desta época é a Sé Catedral, a maior do país, edifício de hibridismo arquitetónico, onde se pode notar a transição das soluções românicas para as do gótico pleno e intervenções maneiristas, barrocas e neoclássicas, sendo digna de referência a cabeceira de Ludovice. A cidade entra num logo processo de crescimento urbano, apoiada num poderoso cabido, e no século XIV é construído um novo perímetro amuralhado (a chamada cerca nova). Évora conquista paulatinamente o estatuto de “segunda cidade do reino”, tendo funcionado como capital, em termos institucionais, entre 1531 e 1535.

O convento de S. Francisco articulado com o Paço Real de Évora estabelece um novo polo de desenvolvimento. Deste convento, iniciado em 1250 e remodelado no primeiro quartel do séc. XVI, subsiste a igreja, de grande inovação arquitetónica pela sua nave única e onde são visíveis soluções manuelinas e mudéjares, incluindo a famosa capela dos ossos, do palácio apenas resta a erroneamente designada Galeria das Damas.

A Universidade (1556) assinala a dimensão cultural da cidade no renascimento português, assim como o empreendedorismo do futuro Cardeal e Rei D. Henrique, que define os limites da Praça do Giraldo, centro da cidade já há um século, com a construção da imponente igreja de Santo Antão. Próximo da praça encontram-se outras obras notáveis do renascimento, como a igreja e Convento da Graça. Desta época é também o “restauro” do aqueduto sertoriano que dá lugar ao Aqueduto da água da Prata, notável obra de arquitetura e engenharia com grande impacto na vivência e organização urbana da cidade.

Durante o domínio filipino e no pós-restauração, e consecutiva perda de importância sócio-política, registam-se reformas barrocas no interior de várias igrejas, como o trabalho azulejar e de talha realizado na Igreja da Misericórdia.

Já no século XIX foi construído o teatro Garcia de Resende, dos mais representativos “teatros à italiana” existentes em Portugal, a fachada visível hoje substitui a original de mármore rosa ornamentada com rosáceas desde 1969, o seu interior é um híbrido duma arquitetura neobarroca italiana com inspiração neoárabe refletida nos arcos de ferradura.

No seu conjunto, permitimo-nos citar José Saramago: “Évora é Património Mundial da Humanidade porque Évora é principalmente um estado de espírito, aquele estado de espírito que, ao longo da sua história, a fez defender quase sempre o lugar do passado sem negar ao presente o espaço que lhe é próprio, como se, com o mesmo olhar intenso que os seus horizontes requerem, a si mesma se tivesse contemplado e portanto compreendido que só existe um modo de perenidade capaz de sobreviver à precaridade das existências humanas e das suas obras: segurar o fio da história e com ele bem agarrado avançar para o futuro. Évora está viva porque estão vivas as suas raízes.”

                Com a distinção da UNESCO, inaugura-se efectivamente uma nova consciência para a salvaguarda do património e para o turismo da cidade. No entanto, distinga-se aqui a pré-existência dessa mesma consciência, fruto do trabalho continuado do Grupo Pró-Évora, que ainda hoje mantém se mantém activo, bem como a assertividade dos governantes locais, que desde a década de 70 mantiveram activa uma lógica de preservação e salvaguarda do património edificado, nomeadamente através da criação de legislação própria, complementar das regulamentações promulgadas pela Administração Central. Não obstante, o esforço exigido para a classificação do centro histórico, transformou o desiderato atingido num porto de chegada ao invés, ao invés de se assumir como um ponto de partida. Efectivamente, o Centro Histórico de Évora não escapou às vicissitudes inerentes a grande parte destes “espaços de memória”, aproximando-se perigosamente da condição já não de cidade museu, mas somente de museu.

Após a classificação, a personalidade e a marca da cidade fez-se sentir de forma forte no património imóvel e no construído, mas não tão fortemente nas vivências da própria população do centro histórico.[3] Como tal, foi notória a contra reacção ao crescimento do fluxo turístico, manifestando-se no crescente esvaziamento de habitantes locais da zona intra-muros, que, nos últimos 30 anos, perdeu mais de 50% da sua população residente. Com efeito, a distinção da UNESCO inaugurou um equilíbrio delicado entre promoção turística e sustentabilidade local. Sobre as lógicas de abertura do mercado turístico, impunham-se lógicas de gestão urbanística, dinamização cultural e criação de uma estratégia integrada de preservação da integridade do espaço classificado. Contudo, as necessidades habitacionais, naturais e decorrentes da própria evolução humana e tecnológica impuseram um duro golpe no centro classificado de Évora, que só muito recentemente conseguiu granjear algum retrocesso.

                Nos últimos anos, Évora tem alavancado a região do Alentejo enquanto destino turístico, motivando o surgimento de turismos rurais e da consciencialização para a salvaguarda do património rural e imaterial, como o cante alentejano, classificado em 2014 como Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

                O número de visitas turísticas da cidade tem vindo a crescer, já decorrente de uma política nacional de divulgação turística, que demonstrou que a estratégia terá obrigatoriamente que se centrar nas lógicas de uma “deontologia integrada”, interligando Norte e Sul, Litoral e Interior, procurando, a partir de uma estratégia para o colectivo, fazer sobressair a especificidade do singular. O que tem trazido desenvolvimento económico para a cidade e motivado vários projetos de conservação e restauro, como o recém iniciado projecto de reconversão do Palácio de D. Manuel, a reabilitação do antigo Salão Central Eborense, o restauro da Igreja da Misericórdia, ou o grande investimento feito no restauro e criação de um núcleo museológico na Igreja e Convento de S. Francisco.

                Não obstante esta realidade, que muito nos honra, analisando os censos de 1991 a 2011 é percetível um decréscimo percentual de 39,6% da população no centro histórico e um aumento de 17,5% da população na cidade extramuros. Segundo os censos de 2011, o centro histórico tem 4 738 habitantes, enquanto que a cidade extramuros tem 40 612, tendo o conselho um total de 56 596 habitantes. Estes dados comprovam que Évora sofre do chamado efeito “donut”, uma cidade onde o centro é cada vez mais ocupado por equipamentos turísticos, nomeadamente pelo surgimento exponencial dos alojamentos locais, vendo-se a população constrangida à cidade extramuros. Do ponto de vista estatístico, em 2012 estavam registado 4 alojamentos locais no espaço do Concelho Eborense. Em 2019, esse número ascendeu às quase duas centenas. Temos, portanto, um aumento na ordem dos 4300%![4].

A recuperação do parque habitacional, profundamente direcionado para o turismo sazonal, impõe, novamente, a reflexão que se impõe sobre a sustentabilidade da estratégia, em termos do que poderá vir a ser, a curto prazo, um novo esvaziamente do espaço intra-muros, decorrente da exaustão de visitantes, que ascendeu, em 2017, ao número recorde de meio milhão. É essa reflexão que agora se inicia no conjunto das autoridades gestoras de tão frágil, mas também pujante espaço patrimonial, e que, note-se, se mantém como o efectivo centro de vivências da cidade de Évora.

                Reconhecer-se-à que não é fácil de todo gerir um centro histórico classificado de 107 hectares (um dos maiores centros históricos da europa). Por essa mesma razão, um dos grandes projectos âncora desencadeados, centra-se na candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura 2027, em torno de uma Comissão Executiva constituída pelas seguintes entidades: Câmara Municipal de Évora, Turismo do Alentejo ERT, Direção-Regional de Cultura do Alentejo, Universidade de Évora, Fundação Eugénio de Almeida, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Alentejo e Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo. Esta candidatura é uma aposta de todas estas entidades em gerar massa crítica, tentando encontrar a melhor solução para um equilíbrio entre a comunidade local e a visitante. Neste campo, aponte-se, será talvez mais importante o foco não no objectivo final, mas sim na condução do processo, para que o desiderato atingido não seja uma nova distinção, mas sim a criação de uma estratégia de sustentabilidade que honre a história da cidade, que impulsione a criação cultural e que, acima de tudo, estruture o equilíbrio essencial que faça de Évora um espaço de memória, um espaço de encontros, um espaço de vivências, um espaço de futuro.


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ÉVORA. TOURISM AND HERITAGE. A BRIEF REFLEXION

Évora, at the beginning of the 19th century, was a space of memory. A city with a past intrinsically linked to the presence of the kings of Portugal, and that much declined after the period of the Philippine domination of the Kingdom, between 1580 and 1640. It was necessary to wait until 1863, after the arrival of the railroad to the city, to see its return to the communication and geographic information system, with particular emphasis on the famous “travelers’ notebooks and which we can define as the first instruments of the city promotion.
With the twentieth century, and particularly after the proclamation of the Republic, the logic of separation between the Church and the State is accentuated, aggravating the state of conservation of countless buildings of patrimonial value, but, paradoxically, structuring the first symptoms of a collective conscience regarding the architectural singularity of the intramural enclosure. In 1919, the Pró-Évora Group, a non-profit association of heritage defense, was founded, being considered the oldest Portuguese group with this statutory objective. Its foundation was motivated by the mutilation of the historical and urban characteristics of the city, originating from middle of the 19th century, like the demolition of numerous convents. The Group was decisive in the reversal of these trends, being on its initiative classified about thirty buildings of heritage interest, thus avoiding its sale at public auction.


Parallel to the protection of heritage, the group played an important role in its dissemination, elaborated tourist routes, published books, postcards and articles in the press and, in parallel, created the first initiatives of true tourism promotion of the city, a process particularly active in the beginning of the decade of 1920. There was an epithet that still survives today: Évora: museum city, then, erroneously, compared to Seville and Florence, but establishing the valorization logic that defined it as a pioneer in the area in the Portuguese context.
However, the designation will be used by the fascist regime that ruled Portugal between the 1930s and the early 1970s. The regime, particularly interested in implementing a social logic of valuing rural values ​​and exalting the history of the Portuguese people, had in Évora a laboratory of renovation and, why not say it, of inventing the built heritage of Évora. The propaganda policies of Estado Novo have therefore played a decisive role in the “safeguarding” of the city and, in the following, in the structuring of a tourism dynamic. In parallel, it is at this time that Evora receives numerous contributions to the study of its history. In this context, stands out Túlio Espanca, whose work remains one of the deepest and significant legacies on the history of the city. However, for what brings us here today, it is interesting to note that it was Espanca, the first official tourist guide in Évora, and its guided tours were celebrated and still remembered.

It is he who will watch, and in many cases, document, innumerable interventions of Estado Novo. Several monuments have been destroyed, recreated or reinterpreted, always guided by a certain romantic nostalgia, imprecise and deontologically questionable, as is characteristic of their interventions throughout the country.
However, the practice of tourism establishes itself definitively during these interventions, assuming itself as an important source of income. Already in 1934 it was seen as an important part for the balance of the Portuguese economic balance, from the 60’s, it becomes a fundamental activity for the economic growth of Portugal. In terms of statistics, it is from this last decade that we began to have concrete records of the number of visitors, with Evora having a constant growth between the 60s and 70s, passing, within 10 years, the 15,000 visitors, to reach the fence from 56,000 in 1979.

In 1986, and after 6 years of studies, systematizations and creation of a global management strategy of the Historic Center of the city, it reaches the classification of UNESCO World Heritage city. This widely held classification, inevitably boosts tourism in the city, which between 1987 and 1991 saw its tourist index grow 250%.

WHY IS EVORA WORLD HERITAGE?

The classification of the historical center of Évora by UNESCO was based on its example as a city of the golden age of Portugal and for its value as a decoder of Portuguese architecture in the world, namely in the historic center of Salvador da Bahia in Brazil.

Évora possesses the wealth of two thousand years of history, and the Roman foundation still preserves the urban fabric of the ancient urban core. The imposing ancient Ebora is evident in the monumentality of the renowned Roman Temple and in the wealth of the Baths, symptomatic legacies of a city of singular grandeur. During the High Middle Ages, Évora, as a trade city, begins to outspan its walls, however, there are no obvious built vestiges of this historical moment.

In the 13th century onwards, Évora acquired a prominent position in the Portuguese Kingdom. From this time we have the Cathedral, the largest in the country, building of architectural hybridism, where you can see the transition from Romanesque to Gothic solutions. The city then enters a long process of urban growth, and in the 14th century a new walled perimeter (New Fence) is built. Évora became the “second city of the Kingdom”, having functioned as institutional capital between 1531 and 1535.

The convent of S. Francis, articulated with the Royal Palace, establishes a new pole of development. In the 16th century, the church is remodeled, with great architectural innovation due to its unique nave and Manueline and Mudejar solutions, including the famous Bone Chapel.

The University (1556) points out the cultural dimension of the city in the Portuguese Renaissance, as well as the entrepreneurship of the future Cardinal and King D. Henrique, who defines the limits of Giraldo Square, with the construction of the imposing church of Santo Antão. Near the square are other notable works of the Renaissance, such as the church and Convent of our Lady of Grace, but it is the construction of the Aqueduct of the Silver Water, a notable work of architecture and engineering, with great impact in the experience and urban organization of the city the highlight of Évora´s 16th century enterprises.
During the Philippine rule and following period, with the consequent loss of socio-political importance, there are baroque reforms inside several churches, such as tile work and carving performed in the Church of Mercy.
In the 19th century the García de Resende theater, one of the most representative “italian style theaters” in Portugal, was built, and one of the last major intra-mural architectural achievements.

As a whole, we can quote José Saramago: “Évora is a World Heritage Site because Évora is mainly a state of mind, a state of mind that, throughout its history, made it almost always defend the place of the past without denying to the present its own space, as if, with the same intense gaze that its horizons require, itself had contemplated and therefore understood that there is only one way of perenniality able to survive the precariousness of human existences and their works: hold the thread of the story and with it well grasped move forward into the future. Évora is alive because her roots are alive. “

With the distinction of UNESCO, a new conscience is inaugurated for heritage protection and for the tourism in the city. However, there is a pre-existence of this same awareness, a result of the continued work of the Pró-Évora Group, which still remains active, aswell as the assertiveness of local governments, which since the 1970s have preservation and safeguard of built heritage logics, namely through the creation of own legislation. Nevertheless, the effort required for the classification of the historic center, turned the distinction in a port of arrival, rather than assuming it as a starting point. Indeed, the Historic Center of Évora did not escape the vicissitudes inherent in most of these “spaces of memory”, approaching dangerously the condition no longer of a museum city, but only a museum.

After the classification, the personality and the brand of the city made itself felt strongly in local property, but not so strongly in the sustainability of local population. As such, the reaction against the growth of tourist flow was notorious, manifesting itself in the growing emptiness of local inhabitants of classified area, who, in the last 30 years, lost more than 50% of its resident population. In fact, the UNESCO distinction has opened a delicate balance between tourism promotion and local sustainability. The housing needs, derived from natural human and technological evolution itself, delivered a heavy blow on the classified center of Évora, which only recently managed to start to invert the situation.

In recent years, Évora has leveraged the region of Alentejo as a tourist destination, motivating the emergence of rural tourism and awareness to safeguard the rural and immaterial heritage, such as Cante Alentejano, classified in 2014 as Cultural and Intangible Heritage of Humanity by UNESCO.

The number of tourist visits in the city has been growing, as a result of a national tourism promotion policy, which has demonstrated that the strategy will have to focus on the logic of an “integrated deontology”, connecting North and South, Coast and Interior, seeking, from a strategy for the collective, the highlight of singularity. This has brought economic development to the city and motivated several conservation and restoration projects, such as the recently begun project to reconvert the Palace of D. Manuel, the rehabilitation of the former Eborense Central Hall, the restoration of the Church of Mercy, or the great investment made in the restoration and creation of a museum in the Church and Convent of S. Francis.

Notwithstanding this reality, a fall of 39.6% of the population in the historical center and an increase of 17.5% of the population in the city outside the walls is perceptible. According to the census of 2011, the historic center has 4 738 inhabitants, while the city outside the walls has 40 612, with a total of 56 596 inhabitants in the overall juridical space. These data prove that Évora suffers from the so-called “donut” effect, a city where the center is increasingly occupied by tourist facilities, namely by the exponential rise of the local lodgings, seeing the population constrained to the city outside the walls. From a statistical point of view, in 2012 there were registered 4 local accommodation in the area of ​​the Eborense County. In 2019, that number rose to nearly two hundred. So we have an increase of 4300%!

The recovery of the housing stock, which is deeply focused on seasonal tourism, once again imposes the necessary reflection on sustainability, in terms of what may become, in the short term, a new empty space within the walls, due to the exhaustion of visitors, which in 2017 reached the record number of half a million. It is this reflection that now begins within the managing authorities of so fragile, but also thriving patrimonial space, and that, one notices, it remains as the effective center of the city.

For this same reason, one of the great anchor projects launched, focuses on the candidacy of Évora to European Capital of Culture 2027, around an Executive Committee constituted by Évora Municipal Council, Tourism of the Alentejo ERT, Regional Directorate of Culture of the Alentejo University, Évora University, Eugénio de Almeida Foundation, Central Alentejo Intermunicipal Community, Alentejo Regional Development Coordination Commission and Alentejo Regional Tourism Promotion Agency.

This application is a gamble on critical mass gestation, trying to find the best solution for a balance between the local community and the visitor. In this field, it is perhaps more important to focus not on the final objective, but rather on the conduct of the process, so that the goal achieved is the creation of a sustainability strategy hat honors the history of the city, that promotes cultural creation and that, above all, structure the essential balance that makes Évora a space of memory, a space of meetings, a space of experiences, a space of future.


https://youtu.be/wk-3GadJtik

Referências / References:

[1] Ana Cardoso Matos, Maria Luísa F.N. dos Santos, “Os Guias de Turismo e a Emergência do Turismo Contemporâneo Em Portugal (Dos Finais De Século XIX às Primeiras Décadas do Século XX)”, Geo Crítica / Scripta Nova. Revista electrónica de geografía y ciencias sociales. (Universidad de Barcelona, 15 de junio de 2004, vol. VIII, núm. 167. <http://www.ub.es/geocrit/sn/sn-167.htm>

[2] Registo de Afluência Turística- 1968 – 2018, Câmara Municipal de Évora, policopiado, 2018-.

[3] Lusa, “Unesco diz que centro histórico de Évora é dos “mais bem preservados” do país”, Público, 23 novembro, 2006, https://www.publico.pt/2006/11/23/local/noticia/unesco-diz-que-centro-historico-de-evora-e-dos-mais-bem-preservados-do-pais-1277592.

[4] https://rnt.turismodeportugal.pt/RNT/